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O COACHING COMO ESTRATÉGIA DE APRENDIZAGEM TRANSFORMADORA!

Segundo a Federação Internacional de Coaching (ICF, 2016) o coaching pode auxiliar o coachee a obter resultados em suas vidas, carreiras, negócios e/ou organizações. Por meio deste processo, o coachee pode aprofundar sua aprendizagem, melhorar seu desempenho e sua qualidade de vida. Mais de uma vez ouvi e li, em depoimentos de coaches e coachees, que o coaching pode se referir a algo mais do que aprender, podendo incluir até uma experiência transformadora de vida. Mas, do que exatamente estamos falando? O que deve ou não deve ser considerado uma experiência de aprendizagem transformadora? Quais os “ingredientes ativos” capazes de funcionar como alavancas para um processo de aprendizagem transformador?
Para responder essas perguntas, utilizei como lente teórica a aprendizagem transformadora de Mezirow (1997). Dito isto, a proposta deste artigo é apresentar os pressupostos da aprendizagem transformadora e suscitar um debate sobre como a prática do coaching executivo pode ser melhorada pela aplicação da teoria da aprendizagem transformadora.
Semelhante ao que ocorre nos níveis de aprendizagem do coaching, a aprendizagem transformadora também envolve a solução de problemas e também diz respeito à aprendizagem envolvida na melhoria do desempenho. Em outras palavras, a aprendizagem transformadora postula que, a aprendizagem serve para melhorar a capacidade do aprendiz no que se refere a lidar eficazmente com os desafios diários da vida (HOGGAN, 2016). Segundo Mezirow (1994), o aprendiz, dentro do contexto de resolução de problemas, de superação ou gestão dos desafios, reflete criticamente sobre o conteúdo, sobre o processo de resolução ou sobre a premissa subjacente do referido problema.
Algumas condições podem contribuir para a aprendizagem transformadora. Essas condições estão relacionadas ao ambiente onde aprendizagem ocorre e ao que envolve essa aprendizagem.
O processo de aprendizagem transformador, segundo DIRKX (2006), envolve:
1) A possibilidade de que outro modo de compreensão possa fornecer novos
insights diante de um problema;
2) Uma consciência mais profunda das crenças estabelecidas (suas origens,
natureza e consequência);
3) O exame crítico a respeito das suposições que apoiam essas crenças;
4) O exercício de tornar válida, através do teste empírico ou de uma ampla
avaliação discursiva, uma nova crença;
5) O lidar com a ansiedade associada às consequências do pôr em teste essa nova
crença
6) E o agir, de forma reflexiva, sobre a crença validada.
Considerando o que foi dito, há uma maior probabilidade de que tudo isso ocorra em um ambiente que possibilite o acesso a informações precisas e completas; onde não exista coerção, distorção pelo o autoengano ou ansiedade imobilizadora; onde existam oportunidades iguais para assumir vários papéis no discurso (avançar, crer, desafiar, defender, explicar, avaliar provas e julgar argumentos).
Neste ambiente, aumentam as possibilidades do aprendiz tornar-se:

a) criticamente reflexivo sobre os pressupostos;

b) empático e aberto a outras perspectivas, cuidando de como os outros pensam, sentem e retém o julgamento

c) disposto a ouvir e a procurar um terreno comum ou uma síntese de diferentes pontos de vista; d) capaz de pesar, evidenciar e avaliar os argumentos de forma o mais objetivamente possível,

e) capaz de fazer um julgamento tentativo para guiar sua ação.
Em meu estudo empírico, cujo resultado foi minha dissertação de mestrado, pode-se identificar como as características do coach, além dos recursos, podem construir esse ambiente de aprendizagem.
Dentre as características citadas, por coachees e coaches, estão: capacidade de estabelecer rapport, domínio da metodologia do coaching, flexibilidade, esculta ativa, capacidade de se adaptar ao perfil e as necessidades do coachee.
Ao final deste texto, considerando o fato de que os atributos de um coach podem contribui para um ambiente propicio à aprendizagem transformadora, lanço uma pergunta aos colegas do Mundo Coaching. Será a formação acadêmica do coach, por exemplo, sua graduação, cursos de pós-graduação e cursos de extensão, relevantes para o estabelecimento de um ambiente facilitador de aprendizagem no processo de coaching?

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